Sobre Ontens - 2009


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ÍNDICE


A descoberta de um novo mundo e do Outro
Mayte R. Vieira

Primeira República e Democracia Política 

Sabrina Tkaczyk

Queda da Monarquia e proclamação da República – uma discussão teórica e contextual

Carlos A. Matias

Tópicos sobre a Ocupação Humana no Arquipélago Japonês

Julio C. Jacinto

Heresias e Práticas desviantes; impactos na sociedade luso-brasileira do séc. XVI 

Marcio R. Marques

República, uma falsa ideologia

Thays Biberbach

Singularidades Africanas: um olhar sobre a História da África
Juliana de Cássia Câmara



TRECHOS DOS ARTIGOS



A DESCOBERTA DE UM NOVO MUNDO E DO OUTRO

Maytê Regina Vieira


“A descoberta das Américas permitiu não só o encontro de novas terras e possibilidades a serem exploradas como também, o encontro de novos seres, uma população nativa, sem o conhecimento do mundo ou do outro, no caso o europeu. O “descobrimento” do Brasil modificou a concepção de mundo européia causando repercussões em todos os lugares, a grande questão era definir quais os limites do novo território e quais os benefícios que poderia trazer a Portugal que buscava um projeto de construção de uma América Portuguesa. (COUTO, 2000, p.48). Segundo Vainfas (1999), a descoberta do novo mundo impôs ao europeu o embate com o outro, fez com que ele descobrisse a alteridade, este embate resultou na "(re)construção da identidade cristã ocidental", o que fez com que o europeu visse no índio sua própria selvageria. Diante das diferenças o europeu rejeitou-as vendo seus próprios demônios e idolatrias em todas as manifestações indígenas, desencadeando um processo de perseguição a tudo que fosse diferente de sua cultura. O europeu descobriu na América uma nova terra, uma nova cultura totalmente diversa da sua, a maneira de lidar com ela foi impor sua cultura, sua civilização a estes novos povos que eram considerados “sem lei, sem fé e sem rei” (NOVAES, 1999, p.7)....”


PRIMEIRA REPÚBLICA E A DEMOCRACIA POLÍTICA
Sabrina Tkaczyk

“Para muitos a Primeira República representava o novo modelo político, a grande mudança após o sete de setembro. Nascida de conflitos, de modelos radicais e liberais, o novo modelo político trouxe em seus primeiros anos desavenças e descontentamentos, em especial por tratar-se de uma República que não previa a participação popular nem foi legitimada por todos, concentrando seus esforços em manter velhas estruturas coloniais em caracterizar-se como um modelo urbano, não foi suscitada de políticas sociais e as desigualdades ocorriam no interior distante. O individuo não foi incorporado como cidadão, uma quantia insignificante votava, e as eleições eram premissas de violência e fraude. As classes subalternas vivem alheias ao processo vigente, sendo o Brasil de grandes contrastes, na cidade ou no interior, o capoeira e o sertanejo vão buscar seus espaços de sociabilidade e luta, a cidade marcada pela desigualdade assim como o sertão da grande propriedade nas mãos de poucos, do analfabetismo, da corrupção, da fome e da seca. Os grupos vão apoiar-se em doutrinas de monges e beatos, herói seria o cangaceiro que desafiava os coronéis e autoridades locais, grupos que buscavam melhores condições de vida em espaços arrasados por ineficácia política, esta que não soube sanar os problemas e usou da violência para drenar uma ameaça que era inviável. Os movimentos de Canudos, Caldeirão, Contestado, Juazeiro e Cangaço, vão demarcar a luta pela sobrevivência, a participação popular em moldes sociais recriados por estes, a luta pela terra e por melhores condições de vida...”


QUEDA DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA: UMA DISCUSSÃO TEÓRICA E CONTEXTUAL
Carlos Almir Matias

“Poucos historiadores escreveram sobre a transição da monarquia para Republica, os poucos historiadores que escreveram sobre esse período deram ênfase ao impacto social e as revoltas desse contexto. Os historiadores que escreveram nesse período entendem que o regime republicano foi adotado com consenso, que essa transição era uma fatalidade histórica, e tinha por objetivo amalgamar diversos interesses. Contudo, esses historiadores deixaram de lado do debate a sociedade civil e os monarquistas, como que se estes estivessem a margem do processo. Esses historiadores também esqueceram das oposições existentes entre militares e civilistas e a oposição dentro de cada um desses grupos. Os militares de alta patente entendiam de forma diferente dos militares de baixa patente, o papel das forças armadas na construção da República. Entre os civilistas, a oposição era entre proprietários de terras e industriais. Os proprietários almejavam a manutenção das terras, da estrutura agrária, alem da supremacia econômica e política. Para os industriais, o objetivo era rever a relação entre cidadãos e proprietários de terras. A idéia era diminuir o tamanho das terras para que houvesse uma oferta de mão de obra maior para as industrias que estavam surgindo...”


TÓPICOS SOBRE A OCUPAÇÃO HUMANA NO ARQUIPÉLAGO JAPONÊS Julio Cezar Jaicnto

“A arqueologia levada ao Japão, assim como, boa parte das ciências oriundas do ocidente, tiveram um início de certa forma tardio em relação ao Velho Mundo, uma vez que, a política isolacionista do Xogunato Tokugawa restringiu qualquer contato com o ocidente durante os anos de 1639 à 1853. Neste período o Japão permaneceu de certa forma, num ostracismo cosmo político em relação ao mundo ocidental e até mesmo oriental. Salvo raras exceções, como no caso dos holandeses que gozavam da permissão xogunal, em função de comercializarem mesmo que de forma restrita com o Japão, durante o Sakoku.Sendo-lhes permitido atracar somente, um único navio por ano, contendo produtos ocidentais na pequena ilha de Deshima, localizada na baia de Yedo, atual cidade de Tókio. Contudo somente a partir do advento sem precedentes da Restauração Meiji (15/12/1867) e posteriormente com a administração de uma política agressiva de modernização sociocultural, foi possível a propagação de um ideal crítico, e entendamos com isso, projetado sob a luz de um cientificismo ocidental. Todavia, grande parte das esferas econômicas e sociais são “obrigadas” a adaptarem-se à nova tessitura progressista do governo nipão...”


HERESIAS E PRÁTICAS DESVIANTES: IMPACTOS NA SOCIEDADE LUSO-BRASILEIRA DO SÉCULO XVI
Marques, Marcio Renato

“Desde que se iniciara o concilio de Trento, discutindo as futuras ações da Contra-Reforma até a chegada dos primeiros jesuítas em terras brasílicas no ano de 1549, a Igreja Católica Romana vivia mantinha-se na posição de uma “Cidade Sitiada”, como escrevera Delumeau, tentando se conservar frente às investidas do Islã no flanco oriental e apaziguar os conflitos com os reformados no coração do continente, não deixando de lado os judeus (logo, associados à usura), antigos retentores das atividades da economia monetária medieval. As frentes contrárias as estruturas seculares da Igreja germinavam em todos os lugares durante o Renascimento: Lutero, Zwingli e Calvino representam, contudo a reafirmação de idéias contestadoras anteriores, como no caso dos hussitas e de demais grupos rotulados como heréticos. As ações da Igreja, contudo se voltaram para fora da Europa, à exploração de Novos Mundos engrossaria o rebanho de cristãos obedientes ao Papa. Para tal tarefa os seguidores de Inácio de Loyola assumiram essa missão salvacionista, seja no oriente distante, na África ou em toda a América...”


REPÚBLICA: UMA FALSA IDEOLOGIA
Thays Bieberbach

“É muito comum nos dias de hoje em qualquer roda de amigos, o tema política surgir, seja para falar mal de algum candidato ou discutir sistemas políticos. Nosso conhecimento permite saber que no mundo várias formas de governo já existiram e algumas ainda permanecem. Alguns países já foram governados de diversas formas, tanto que temos como exemplo nosso país que já foi uma monarquia, parlamentarista, e é republicano presidencialista. Um sistema político que vale a pena ser estudado é o de Roma. Você deve estar se perguntando “mas por que estudar Roma? Por que temos que falar de Roma?” ela é famosa pelos seus 12 Césares, pelas conquistas e pela grandiosidade do império, entre outras coisas. Espera ai, império? Sim império, o sistema político deles é tão complexo que para falarmos do império devemos explicar as transformações políticas desde o início. Roma já foi monárquica, teve um período onde os reis dominavam o poder e não permitia a participação do Senado, isso levou a população e a elite buscar uma alternativa a esse sistema, diante disso houve uma revolta para destituir o rei e em seguida a república é implantada, o que fez a elite social romana formar o Senado e ter acesso as decisões...”


SINGULARIDADES AFRICANAS: UM OLHAR SOBRE A HISTÓRIA DA ÁFRICA
Juliana de Cássia Câmara

“Pensar a África apenas como um dos continentes mais populosos e extensos de todo o planeta, onde existam tribos, crenças, dialetos, folclore, artesanato, e que assim como nas telas de cinema, reine a fome, o desemprego, a violência, a pobreza, não passa de uma visão eurocêntrica e monocultural. Muito dessas idéias se difundem devido à tradição cristã e ocidental, que mostram uma África de barbárie, e por isso, incapaz de constituir civilização. Contudo, discutir essa questão tem sido ainda um problema de grandes variáveis. Um exemplo vem com a Lei 10639/2003 que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro Brasileira, mas que, no entanto, muitos professores além de não terem conhecimento sobre a mesma, não se encontram preparados para este trabalho, pela falta de formação especializada. A literatura, onde por mais que se produza sobre esta temática, se encontre restrita a centros bastante específicos. A idéia de que vivemos numa democracia racial em nosso país, de completa harmonia e igualdade, mas onde o racismo é muito forte, presente e constante. Porém, a história da cultura africana não pode ser tomada de modo universalizante, e nem explicada somente a partir de um único fator, como a escravidão. É preciso romper com as idéias que desvalorizam e menosprezam o povo e a cultura africana. Trata-se de diferentes povos e culturas, que também construíram seu modo de viver, de fazer, de ser e de estar no mundo, criando e recriando suas tradições...”